DÚVIDAS

DÚVIDAS

Se Deus existe, o demônio também deveria existir?

Esta afirmação é grave... Considerar necessários dois deuses, o deus bom e o deus mau, é tanto como limitar Deus, dois deuses é negar que Deus seja absoluto, Deus único. Portanto ateísmo, ou panteísmo. Absurdo filosófico do antigo paganismo oriental, e heresia religiosa herdada depois pelo maniqueísmo, pelos cátaros etc.

O catecismo da Igreja Católica diz no assunto Satanás que existe uma verdadeira aceitação com relação ao demônio e sua ação sobre os homens.

O “Catecismo da Igreja Católica”, aprovado pelo Papa João Paulo II, não era para ser publicado, senão unicamente normativo, para que os autores aos que se ia confiar escrever os catecismos nacionais tivessem presentes as opiniões que durante séculos tinham sido mais comuns. Não necessariamente para serem repetidas... Por motivos econômicos uma editora francesa adiantou-se ao plano... E agora? Melhor dar um tempo... O Catecismo da Igreja Católica, como tal, não tem valor dogmático e certamente muita coisa poderá ser modificada.

É dogma de fé da Igreja Católica aceitar a atividade do demônio?

Não há absolutamente nenhum dogma nem conciliar nem papal a respeito nem sequer da existência do demônio. E não estamos falando da existência, falamos unicamente da atividade em nosso mundo. Falamos do que tecnicamente seria o demônio fazendo milagre (= “intervenção no nosso mundo de uma força não do nosso mundo”). E pelo contrário há vários dogmas de que o milagre e a providência são exclusivamente divinos e de que não há milagres nem providência demoníacos, que isto é erro dos pagãos. Ler o livro “Antes que os Demônios Voltem”, Ed. Loyola.

Como é possível um fenômeno de uma pessoa que relata alguns fatos da minha vida que só eu sabia? Desejava claramente me inibir para que não mandasse embora o demônio que a possuía. Lembrem que o próprio Deus é quem disse: “O Senhor conhece os pensamentos dos sábios, que são pensamentos vãos”.

Se não sabe explicar um fenômeno, o correto é que não o “explique”...

É corriqueiro que os histéricos reajam de acordo com o ambiente: como se estivessem possuídos por demônios, ou por Exus, ou por Fadas, ou por Elementares, ou por ETs, ou por Espíritos de mortos etc., etc. Tudo pura invencionice do inconsciente de acordo com as circunstâncias. Pode chegar a profundas divisões da personalidade... O histérico que é tratado como se fosse endemoninhado é claro que vai reagir com blasfêmias ou com acinte contra o sagrado.

Em outras oportunidades explico esse fenômeno de que a pessoa lhe descreveu fatos da sua vida. É o fenômeno mais corriqueiro da Parapsicologia. Chama-se HIP (Hiperestesia Indireta do Pensamento), adivinhar o pensamento da pessoa que está presente. A vários casos dos chamados “endemoninhados” referidos nos Evangelhos se aplica perfeitamente a HIP. O chamado “endemoninhado” na terra dos gergesenos gritava: “Que temos a ver contigo, Filho de Deus?” (Mt 8,29); prostrou-se ante Cristo e gritou: “Jesus, Filho de Deus Altíssimo, conjuro-te por Deus, não me atormentes” (Mc 5,7); “Sei quem és Tu, o Santo de Deus” (Lc 8,28). Um jovem interrompia e berrava na sinagoga de Cafarnaum: “Jesus Nazareno, vieste para arruinar-nos? Sei quem Tu és: O Santo de Deus” (Mc 1,24 e Lc 4,34); “De um grande número também saiam demônios gritando: Tu es o Filho de Deus” (Lc 4,40).

Entre outros vários Catharinet – excelente teólogo, mas desconhecedor de Parapsicologia – Pergunta: “Como poderiam aqueles neuróticos reconhecer e proclamar o Messias?” Daí deduz erradamente, como o prezado leitor que me pergunta, que é o demônio quem fala pelos chamados possessos.

Não tem cabimento que o demônio – (no conceito dos que nele acreditam) – se converta em apóstolo. O menos que se pode esperar de Satanás é que não dê testemunho da divindade de Cristo. Mas tudo fica compreensível para quem sabe que existe HIP: simplesmente aqueles doentes captaram o pensamento de Jesus. E Jesus “não consentia, porém, que os demônios falassem, pois eles O conheciam” (Mc 1, 34). “Em tom ameaçador, porém, Ele os proibia de falar, pois sabiam que era o Messias” (Lc 4, 41). Jesus evidentemente tinha que ir declarando pouco a pouco sua divindade e que era o Messias, senão O matariam antes... E também não corresponde aos conceitos tradicionais que o próprio demônio jure ou conjure pelo nome de Deus... Também a HIP se aplica perfeitamente ao caso protagonizado por São Paulo: “Veio ao nosso encontro uma jovem escrava que tinha espírito de adivinhação”.

No original se diz “espírito de Pitão”: a capacidade de adivinhação, atribuída pelos gregos e romanos ao deus (dáimon, em grego) Pitão. Não ao demônio, no conceito difundido entre os cristãos. “Ela obtinha para seus amos muito lucro, por meio de oráculos!”.

É absurdo que o demônio se envolvesse em negócios lucrativos. “Começou a seguir-nos, a Paulo e a nós, clamando: ‘Estes homens são servos do Deus Altíssimo, que vos anunciam o caminho da salvação’. Fê-lo durante vários dias”.

Exemplar demônio, apóstolo esclarecido... e esforçado. “Por fim, Paulo, aborrecido, voltou-se e disse ao espírito: ‘Eu te ordeno, em nome de Jesus Cristo: sai desta mulher’. E o espírito saiu no mesmo instante. Mas os amos, vendo escaparem-se-lhes as esperanças de ganho, agarraram Paulo e Silas arrastando-os à agora diante dos magistrados” (At 16, 16-19).

Não há direito a invocar a Bíblia em análise de fatos do nosso mundo. A Bíblia é um livro de doutrina sobrenatural, inobservável... Onde a ciência não pode nem afirmar nem negar. Nesse sentido, é verdadeira a frase de São Paulo (1 Cor 3,20) à que o Senhor alude, porque a sabedoria deste mundo é vã na ordem sobrenatural.

A inversa também é verdadeira: As religiões e os teólogos, como tais, não têm autoridade em ciência. É falta de respeito à Bíblia argumentar com ela na análise de fenômenos observáveis, ou deduzíveis, do nosso mundo. Para isso estão a Bíblia não se mete em ciência. A Bíblia não corrige nenhum erro científico das diversas épocas em que foi escrita. Usa a cultura ou incultura da época a respeito dos fatos de nosso mundo para dar doutrina religiosa, sobrenatural. Quando se trata de fatos de nosso mundo..., a Bíblia nos manda que ouçamos aos sábios. Poderia citar muitos textos, que o senhor passou por alto... Por exemplo: “O homem inteligente reflete sobre as palavras dos sábios, e com ouvido atento deseja a sabedoria” (Eclo 3, 31).

A Bíblia não é um livro de Medicina, nem de Psicologia, nem de Parapsicologia... Portanto, o que os exorcistas fazem, com seus conhecimentos bíblicos ou teológicos, é exercício ilegal da Medicina etc. Proibido por lei (Artigos 282, 283 e 284 do Código Penal).

E nada adiantam esses exorcismos... Não posso deixar de lembrar aqueles versos de cordel que cantava Fernando J. Nascimento, em Recife:

Uma coisa que encuca nessas igrejas de crente é que dizem que é de Deus, mas o Cão dá expediente. E por mais que expulsem ele, todo dia está presente.

E tudo pelo contrário. Nem imaginam o mal à saúde psicológica que estão fazendo a multidões, em nome de religião!, com esse curandeirismo e mentalidade demonológica...

● Estudo desenvolvido pelo revolucionário e mundialmente consagrado especialista Prof. Dr. Padre Óscar González-Quevedo Bruzón, S.J. (1930-2019), fundador, em 1970, do CLAP – Centro Latino-Americano de Parapsicologia ― Pesquisa, Ensino e Clínica ― o primeiro Centro Universitário, Especializado e Reconhecido em Parapsicologia no Brasil.

Fonte: DÚVIDAS (Seu título aqui).

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“Fora da VERDADE não há CARIDADE nem, muito menos, SALVAÇÃO!” (Luiz Roberto Turatti).

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