PONTES E PINGUELAS...

PONTES E PINGUELAS...

Em janeiro de 1991 espalhou-se pela cidade de Araras, SP (Brasil), o boato de que um padre daqui (Prof. Dr. Padre João Modesti), que sofrera delicada intervenção cirúrgica, havia chamado um famoso curandeiro-espírita (Waldemar Coelho), da vizinha cidade de Leme, SP, para o aliviar de fortes dores pós-operatórias, porque a cirurgia, pela qual passara, não tinha sido bem realizada.

Vindo o curandeiro, o padre ter-lhe-ia exposto tudo sobre as dores de que estava padecendo.

O boato afirmava ainda que o curandeiro já havia consultado os seus guias (?) que o informaram que, de fato, o padre não estava bem de saúde.

Diante disto, o curandeiro recomendara ao padre que passasse por outra cirurgia, mas agora espiritual e urgente, lá no centro-espírita de Leme, visto que fora do centro seria impossível a obtenção da cura (?).

O padre teria vacilado surpreso perante tal possibilidade e dissera ao curandeiro: o que diriam os seus fiéis?; como se justificaria o seu envolvimento com o espiritismo?...

Duvidando do rumor fui ter com o principal envolvido no episódio, aliás, a única pessoa confiável: o sacerdote em causa.

Esse não se perturbou com a minha narrativa, dizendo-me estar acostumado a muitos diz-que-diz, e que como padre Católico Apostólico Romano, não se importava com isso, e acrescentou que nunca o espiritismo lhe despertou nenhuma atração, pois continua o mesmo de sempre, ou seja, desmoralizado e desmerecedor de interesse.

O padre afirmou-me que o curandeiro realmente o visitou logo após a sua cirurgia, mas que o comentário que eu ouvira não tinha fundamento, pois a intervenção cirúrgica por que ele passou fora bem sucedida e que estava muito bem, recuperando-se normalmente.

Eu, que estas linhas escrevo, acho pertinente informar aos que me leem, que os curandeiros-espíritas, também conhecidos pelas denominações: médiuns; ou médiuns-espíritas; ou médiuns-cirurgiões; ou cirurgiões-espíritas, sem exceção, são megalomaníacos: ou mágicos, ou fanáticos, ou ordinários, ou enganadores, ou tarados, ou criminosos, ou tudo isso ao mesmo tempo, aproveitando sempre a boa-fé alheia, principalmente, do povo simples, e de modo geral, fazendo propaganda das suas seitas, visitando pessoas influentes do povo, neste caso um padre, e agindo sempre de acordo com os seus interesses econômicos.

Na obra O Poder da Mente na Cura e na Doença (ou Curandeirismo: Um Mal ou Um Bem?), assim escreve o jesuíta Prof. Dr. Padre Oscar González-Quevedo:

“Há curandeiros ou seitas de curandeirismo (p. ex.: “Ciência Cristã”, Seicho-no-iê, Pentecostais etc.), que editam com grande tiragem os seus próprios livros, revistas, jornais propagandísticos”, diz.

“A propaganda é uma das principais causas, e imprescindível, para o êxito dos curandeiros. A televisão, o rádio, e até o próprio cinema são frequentemente pagos para apresentar a propaganda dos curandeiros. Curtas-metragens, slides, folhas volantes, até enormes cartazes são profusamente espalhados”, afirma.

“Trata-se na realidade de tergiversações, exageros e até abertas mentiras”, conclui o Padre Quevedo.

E o padre caluniado (pois estamos mesmo a ver que tudo não passou duma calúnia aparentemente bem urdida) contou-me que nesta visita que lhe fez o curandeiro-espírita – por sua livre iniciativa, frise-se – este perguntou-lhe, com comiseração digna de riso, porque não o procurara antes de passar por essa operação física e todo esse sofrimento terreno...

O padre ainda me disse ter agradecido a gentileza da visita do curandeiro e foi categórico em afirmar que nunca, nunca ninguém conseguiu provar de maneira inequívoca, definitiva, a cura de quem quer que seja, nas sessões-espíritas.

E é justamente o que afirma o Padre Quevedo em seus estudos: “Não conheço – entre tantíssimos! – nenhum milagre nem Providência Especial Divina em ambiente espírita”, no primeiro tomo (de cinco) da sua obra: Os Mortos Interferem no Mundo? (em que ele demonstra, à saciedade, à exaustão, que os mortos não interferem, absolutamente, no nosso mundo).

Como o curandeiro insistisse ainda no seu propósito, o padre encerrou a visita dizendo ao importuno que, o que ele precisou foi de quatro pontes-de-safena e não de quatro pinguelas... e até mais ver.

Por Luiz Roberto Turatti, aluno do CLAP – Centro Latino-Americano de Parapsicologia, dirigido pelo revolucionário Prof. Dr. Padre Oscar González-Quevedo, S.J.

ESSE ARTIGO JÁ FOI PUBLICADO EM:

“A Pérola”, Conchal, SP (Brasil), abril/1991;

“Jornal de Parapsicologia”, Braga (Portugal), junho/1996;

USINA DE LETRAS (usinadeletras.com.br/exibelotextoautor.php?user=TURATTI).

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“Fora da VERDADE não há CARIDADE nem, muito menos, SALVAÇÃO!” (Luiz Roberto Turatti).

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