Vigiai e orai...! Os meios recomendados pelo próprio divino Redentor, para defesa eficaz da nossa virtude, são: vigilância assídua, para fazermos o melhor que pudermos tudo o que estiver na nossa mão …More
Vigiai e orai...!

Os meios recomendados pelo próprio divino Redentor, para defesa eficaz da nossa virtude, são: vigilância assídua, para fazermos o melhor que pudermos tudo o que estiver na nossa mão; e oração-constante, para-pedirmos a Deus o que pela nossa-fraqueza não podemos-conseguir:

"Vigiai-e-orai, para que não entreis em tentação. O-espírito na verdade está pronto, mas a carne-é-fraca"... a vigilância e a mortificação...
Tal vigilância de todos os instantes e em todas as circunstâncias é absolutamente necessária, "porque a carne tem desejos contrários ao espírito, e o espírito desejos contrários à carne". Se cedemos, pouco que seja, às seduções do corpo depressa seremos levados até essas "obras da carne" enumeradas pelo Apóstolo, que são os vícios mais vergonhosos da humanidade.
Por este motivo, é preciso vigiar primeiramente os movimentos das paixões e dos sentidos, e dominá-los com uma vida voluntariamente Rígido e com a mortificação corporal, para os submeter à reta razão e à lei divina: "Os que são de Cristo crucificaram a sua própria carne com os vícios e concupiscências". O apóstolo das gentes confessa de si mesmo: "Castigo o meu corpo e reduzo-o à escravidão, para que não suceda que, tendo pregado aos outros, eu mesmo venha a ser excluído".

Todos os santos e santas assim vigiaram os seus sentidos e reprimiram-lhes os movimentos, às vezes muito violentamente, segundo as palavras do divino Mestre: "Digo-vos que todo o que olhar para uma mulher, cobiçando-a, já cometeu adultério com ela no seu coração. E se o teu olho direito te serve de escândalo, arranca-o e lança-o para longe de ti, porque é melhor para ti que se perca um dos teus membros, do que ser o teu corpo lançado no inferno".

Essa recomendação mostra bem que nosso Redentor exige antes de tudo que não consintamos nunca no pecado, nem por pensamento, e que com a maior energia cortemos em nós tudo o que poderia, mesmo levemente, manchar esta virtude belíssima. Nesta-matéria, nenhuma vigilância nem severidade é excessiva. E se má saúde ou outras razões não nos permitem pesadas austeridades corporais, nunca elas nos dispensam da vigilância e da mortificação-interior... a fuga das tentações e das ocasiões do pecado, Além disso, segundo a lição dos santos padres e doutores da Igreja, libertamo-nos mais facilmente dos atrativos do pecado e das seduções das paixões, fugindo com todas as forças, do que atacando de frente.

Segundo são Jerônimo, para conservar a pureza, a fuga vale mais do que a luta aberta: "Fujo, para não ser vencido", dizia de si mesmo. Essa fuga consiste em nos afastarmos com diligência das ocasiões do pecado, e sobretudo em elevarmos nosso espírito para as realidades divinas durante as tentações, fixando-o naquele a quem consagramos a nossa virgindade: "Olhai para a beleza do vosso amante Esposo", recomenda santo Agostinho.
Mas essa fuga e vigilância, para não nos expormos-as-ocasiões-de-pecado, parece que não são hoje compreendidas por todos, apesar de os santos as terem considerado sempre o melhor meio de luta nesta matéria.

- Dado em Roma, junto de São Pedro, no dia 25 de março, festa da Anunciação de nossa Senhora, no ano de 1954, XVI do nosso pontificado PIO XII.