A MALDIÇÃO DOS FARAÓS

A MALDIÇÃO DOS FARAÓS

A descoberta e as mortes

O famoso e persistente arqueólogo Dr. Howard Carter já estava desanimado. Lamentava estar gastando há vinte anos fabulosas somas do seu entusiasta patrocinador, Edward Herbert, quinto Duque de Carnavon. Mas, Carnavon era também persistente. Insistiu em continuar pagando quanto fosse necessário.

E, por fim, a 25 de novembro de 1922, em presença do duque de Carnavon, que chamado por telegrama, viera às pressas com sua filha Lady Evelyn, o arqueólogo Carter “profanava” o túmulo de Tutankhamon, rei egípcio da décima-oitava dinastia, morto há mais de 3.000 anos. A maior descoberta arqueológica de todos os tempos.

Cinco meses mais tarde, a 5 de abril de 1923, Lord Carnavon morria num hospital do Cairo sem que nenhum médico pudesse diagnosticar sua “estranha doença”.

Quando Lord Carnavon entrara, cheio de euforia, no túmulo de Tutankhamon, o inspetor geral de antiguidades do Governo egípcio, Arthur Weigall, disse: “Se penetrar no túmulo com tamanha irreverência, não lhe dou mais de seis meses de vida”. Dizia isso, convicto, à crença existente em todo o Egito de que “o Faraó virá chamar aquele que violar seu túmulo”.

Durante a agonia, Lord Carnavon, diante de médicos, enfermeiros e funcionários perplexos, emerge do estado de coma e exclama: “É o fim. Eu ouvi o chamado e estou pronto”.

O Dr. Evellyne White, na sua impaciência, foi um dos primeiros em penetrar na câmara mortuária, e também impaciente em se submeter à maldição: saindo do Vale dos Reis, sentiu-se sempre fraco e psiquicamente muito deprimido. “Sucumbi a uma maldição que me forçou a desaparecer”, dizia na carta de despedida, encontrada junto ao seu cadáver. Enforcou-se.

Frederick Raleigh fora mandado de Londres para descobrir, antes que o sarcófago fosse aberto, se o corpo de Tutankhamon estava realmente dentro. Dir-se-ia que foi o primeiro em “penetrar” e perturbar o “descanso” do jovem Faraó. Raleigh teve de ser retirado da sala funerária, sentindo-se mal. Logo desmaiou e não recuperou mais os sentidos: Estava morto.

Também Archibald Reed, arqueólogo do Governo egípcio, recebera a incumbência de radiografar os despojos mortais de Tutankhamon. No segundo dia de trabalho, sentiu-se mal e morreu pouco depois.

Pouco depois da fantástica descoberta do túmulo de Tutankamon, chegava ao Vale dos Reis, o Prof. La Fleur, amigo íntimo de Carter. Só pode, porém, assistir aos trabalhos durante algumas semanas. Morreu, vítima de uma “doença desconhecida”.

O professor Winlock, o primeiro que descobrira a inscrição com o nome de Tutankhamon em fragmentos de cerâmica, os professores Breasted, Douglas, Derry e Foucart, os pesquisadores Jay-Could, Garries Davis e Joel Woolf, os sábios egiptólogos Harkness, Astor, Bruyère, Callender, Lucas, etc. ao todo 17 homens de ciência que estiveram no Vale dos Reis, perderam a vida sempre por “doença desconhecida”.

A polícia egípcia interveio e nada suspeitou em nenhuma de tantas mortes. Um alto membro do Governo Egípcio quis investigar por conta própria: mas decorridos alguns dias nas escavações, começou a sentir-se mal e... também morreu.

Tantas foram as mortes que ninguém pensou atribuí-las à mera coincidência. Não se pode racionalmente duvidar que tais mortes estão relacionadas com as escavações no túmulo do Faraó. O diagnóstico de “doença desconhecida” nada resolve.

Qual a causa dessas mortes? Para a imaginação dos supersticiosos não havia dúvidas: “O Faraó virá a chamar aquele que violar seu túmulo”.

A lenda

Já em 1881 o subdiretor do Museu do Cairo, Emile Brugseh, tomara conhecimento da existência da lenda a respeito da “maldição dos Faraós”.

Penetrara na antiquíssima necrópole de Deir el-Bahri e não encontrou nada: tudo tinha sido roubado. Seguindo as indicações de um ladrão de túmulo (que nada sofrera) descobriu no fundo de um poço a mais fabulosa coleção arqueológica: 31 caixões mortuários e 24 múmias, inscrições, tesouros das três grandes dinastias do Antigo Egito. Entre as múmias encontrava-se a do famoso Ramsés II e de Amenófolis I.

Prestes a embarcar levando os preciosos tesouros, foi perseguido por uma turba de mulheres que gritavam: “Maldição, Maldição”.

Brugseh não compreendia o porquê daquela insólita e agressiva manifestação; estava autorizado pelo governo e isso não era nenhum segredo. Mas também não era nenhum segredo, na região, como então se informou a Brugseh, que “são malditos todos os que tocam os túmulos dos Faraós”, conforme tradição que remonta a mil anos antes de Cristo.

Outro fato: As escavações ainda estavam no início. Diante da tenda de Carter, numa gaiola sobre um monte de pedras, cantava um passarinho. O criado de Carter estranhou o súbito parar do canto do pássaro; tendo-se achegado, viu uma enorme cobra-capim ameaçando o passarinho. Os nativos não tiveram dúvidas: era um aviso da maldição. Preveniram os europeus do perigo que corriam...

Em janeiro de 1923 continuavam os trabalhos dirigidos por Carter, no túmulo de Tutankhamon, já então seguidos com notável interesse pela opinião pública mundial. No dia 25, a lenda da maldição se reavivou: uma multidão de árabes se aproximou gritando: “Maldição, maldição, malditos”; lançando pedras contra os pesquisadores e seus colaboradores. A polícia teve que intervir para dispersar os supersticiosos e irritados manifestantes.

Exageros

A imaginação exaltada dos supersticiosos, logo acrescentou outras mortes que nada tinham a ver com a tal “doença desconhecida” nem com os túmulos dos Faraós.

Um dos amigos e colaboradores de Carter, após as escavações, embarcara para a América. “É que fugia da maldição” – diziam. Mas morreu em pleno Atlântico. “A maldição o alcançara” – diziam. Morreu no Titanic. Entre milhares, foram todos alcançados pela maldição?

Richard Bethell, filho de Lord Westbury, era o secretário de Carter quando este abriu o túmulo. Foi encontrado morto numa poltrona do Bath Club. O veredicto do magistrado, após a investigação da morte suspeita, foi morte por causa desconhecida. A superstição viu no caso, mais uma prova da “maldição dos Faraós”. Detalhe: a morte ocorreu sete anos mais tarde.

O próprio Lord Westbury, pai de Bethell, possuia uma mão embalsamada, que o filho encontrara durante as escavações no Vale dos Reis, perto do túmulo de Tutankhamon. Quando meses depois da morte do filho, Lord Westbury se suicidou, jogando-se de uma janela a mais de trinta metros de altura. Os supersticiosos logo falaram de outra vítima da maldição do Faraó. Ora, oito anos após a profanação da tumba, e quando todos sabiam que o suicídio fora decorrência da depressão psíquica pela morte do filho...

Aubrey Herbert, primo de Lord Carnavon, também se suicidou seis meses depois. Era a “maldição!” diziam.

E Lady Elizabeth não estivera no Vale dos Reis. Quem esteve lá foi a filha de Carnavon, Lady Evelyn a quem nada aconteceu. Mas esses detalhes não tinham importância para a superstição.

Também morreu a enfermeira: não tem importância que não morressem os outros enfermeiros, nem os médicos...

Até uma criança, de 8 anos atropelada durante o enterro de Lord Westbury, criança esta que nada tinha a ver com os Faraós, também foi considerada vítima da maldição.

Arthur Weigall também morreu aos 53 anos em 1934, 12 anos após a descoberta do túmulo do Faraó. Alguns jornais não tiveram dúvidas: chamaram-no "a 21.ª “vítima” da maldição.

E como ninguém é imortal, também morreu em 1939, o próprio Carter, de doença bem caracterizada e natural, que nada tinha a ver com “doenças desconhecidas”.

Se é verdade que as primeiras mortes necessariamente tinham alguma relação com as escavações, não há dúvida que estas últimas mortes e coincidências não tem mais relação com Tutankhamon que a imaginada pelos supersticiosos.

Apesar da milenária tradição, nada aconteceu a Emile Brugsch, aos seus ajudantes, bem como aos demais viajantes do navio no qual estavam sendo transportadas as múmias e tesouros, apesar dos maus augúrios...

Consta que nada aconteceu aos ladrões que em 1900 pretenderam saquear o túmulo de Amenofolis II, vencendo os guardas. Retiraram dos sarcófagos a múmia do faraó e arrancaram suas faixas. Mas nada puderam roubar porque já tinham sido roubadas antes por outros ladrões as joias que deveriam estar lá.

Nada tampouco aconteceu aos arqueólogos que descobriram estes mesmos tesouros, agora desaparecidos, e essa mesma múmia agora destroçada.

E lá foi, Carter, em companhia de Gaston Maspero, então diretor do Museu do Cairo e do egiptólogo Callender. Foi precisamente então que Carter se incumbiu de procurar mais túmulos ou objetos funerários; procura que resultou na descoberta do túmulo do Tutankhamon.

Callender morreu “misteriosamente”, nada acontecendo a Maspero que deu a autorização, nem a Carter, o verdadeiro “profanador” do túmulo de Tutankhamon.

E nada aconteceu aos que nos museus manejavam as múmias. E nada aconteceu a outros arqueólogos e aos seus ajudantes nas pesquisas e nas escavações.

Nada aconteceu aos convidados, repórteres de todo o mundo, embaixadores de vários países, à Rainha Elizabeth da Bélgica e a seu filho e futuro rei Leopoldo, que no dia 18 de fevereiro de 1923 presenciavam como Carter abria um aporta encravada em mármore e depois o enorme cofre de madeira dourada, o catafalco com a imagem do deus falcão Horus e signos mágicos, o selo real e o nome completo “Nebkperoure-Tutankhamon”. E o sepulcro. E a múmia do Faraó.

O trabalhador Hormuzd celebrizou-se por ter sido, quem anunciou o achado de uma laje, em 02 de novembro de 1922. Carter mandou continuar as escavações e surgiu outra laje, e outra... eram os degraus da escada que levaria a Tutankhamon. Para os supersticiosos, Hormuzd foi o imediato responsável pela profanação, vítima segura. Nada, porém, lhe aconteceu.

Hipóteses

Otto Neubert, o divulgador da história da descoberta, sugere que talvez os antigos egípcios teriam embebido as pinturas dos túmulos e as faixas de linho das múmias com uma mistura de sais tóxicos, sais que poderiam ter-se conservado até hoje com sua mortal toxicidade. Mas uma série de análises químicas efetuadas no museu do Cairo comprovou que as múmias eram completamente inofensivas para os visitantes.

Trabalhos científicos formularam nova hipótese: verificou-se a sobrevivência, quase ilimitada, de certos micro-organismos, como os vírus, capazes de cristalizar-se e adquirir as características de matéria inanimada. Em contato com células vivas, se reanimam.

Em 1962, dois sábios egípcios descobriram a existência de vírus reanimados numa múmia copta datando dos primeiros séculos depois de Cristo. Os vírus eram desconhecidos em 1923. Por isso, os médicos não puderam diagnosticar com precisão a “doença desconhecida” que teria vitimado tantas pessoas nas escavações.

Para os cientistas da África do Sul, a “doença desconhecida” tem alguma relação com abundantes morcegos do deserto.

Todas as hipóteses tinham lógica e afastavam a absurda, ilógica e até contraditória hipótese da maldição do Faraó. Descartadas as primeiras hipóteses, ficou a do vírus, a dos médicos sul-africanos que com suas pesquisas cada dia mais fortaleciam a teoria que relacionava as mortes com os morcegos.

Desvenda-se o mistério

O Dr. Geoffrey Dean, que foi médico consultor no Sul da África publicou o resultado das pesquisas:

A “doença desconhecida” hoje está identificada como Histoplasmose. É causada por um fungo que se desenvolve no esterco ressecado dos morcegos.

A doença manifestou-se em outros locais bem distantes e sem relação nenhuma com Faraós. A pesquisa começou porque chamou à atenção dos pesquisadores médicos a semelhança dos sintomas apresentados pelas vítimas da “maldição do Faraó” e os apresentados pelas vítimas das “cavernas enfeitiçadas” de Urugwe, na Rodésia, assim como em outras cavernas, inclusive na América Central.

Verificou-se que desde o início das escavações, o acesso ao corredor, antecâmara e anexo, câmara e tesouro de Tutankhamon estivera simplesmente vedado com uma porta de barras de ferro, o que permitia a entrada de inúmeros morcegos do deserto.

O estudo patológico da Histoplasmose ou “doença das cavernas” mostrou que, segundo as circunstâncias, o ataque da doença pode ser brando ou fatal. O ataque brando termina por proporcionar, geralmente, imunidade ao ataque fatal.

O Dr. Dean argumenta que muitas pessoas não contraíram a doença, é lógico. Algumas pessoas, principalmente visitantes, contraíram a doença. Woward, Carter, assim como outros egiptólogos e trabalhadores, tendo antes trabalhado em terrenos menos contaminados, mas não totalmente “assépticos”, alcançaram a imunidade através de um ataque brando.

De fato, Carter e outros arqueólogos e trabalhadores queixaram-se, em determinadas ocasiões, de certa depressão e esquisito mal-estar, mas não diagnosticado pelos médicos: poderia ter sido o ataque brando que lhes salvou a vida, apesar de tão expostos à "Maldição dos Faraós".

Por Prof. Dr. Padre Óscar González-Quevedo Bruzón, S.J. (1930-2019), fundador, em 1970, do CLAP – Centro Latino-Americano de Parapsicologia ― Pesquisa, Ensino e Clínica ― o primeiro Centro Universitário, Especializado e Reconhecido em Parapsicologia no Brasil.

Fonte: A Maldição dos Faraós.

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“Fora da VERDADE não há CARIDADE nem, muito menos, SALVAÇÃO!” (Luiz Roberto Turatti).

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