Desde a criação do gênero humano o homem se desviou do bom caminho. . O homem pode se enganar, e de fato ele se engana muito freqüentemente na busca da felicidade, na escolha da via que deve levá-lo …More
Desde a criação do gênero humano o homem se desviou do bom caminho.

. O homem pode se enganar, e de fato ele se engana muito freqüentemente na busca da felicidade, na escolha da via que deve levá-lo a ela. “Colocar a felicidade onde ela está é a fonte de todo o bem, diz ainda Bossuet; e a fonte de todo o mal consiste em colocá-la onde não é preciso”. Isto é tão verdadeiro para a sociedade como para o homem individual. O impulso em direção à felicidade vem do Criador, e Deus nele acrescenta Sua luz para iluminar o caminho, diretamente por Sua graça, indiretamente pelos ensinamentos de Sua Igreja. Mas pertence ao homem, indivíduo ou sociedade, pertence ao livre arbítrio dirigir-se, ir buscar sua felicidade ali onde lhe agrada colocá-la, no que é realmente bom, e, acima de toda bondade, no Bem absoluto, Deus; ou naquilo que têm apenas as aparências do bem, ou que não é senão um bem relativo.

. Desde a criação do gênero humano o homem se desviou do bom caminho. Ao invés de crer na palavra de Deus e de obedecer à Sua determinação, Adão deu ouvidos à voz encantadora que lhe dizia para colocar seu fim nele mesmo, na satisfação de sua sensualidade, nas ambições de seu orgulho. “Sereis como deuses"; "o fruto da árvore era bom de comer, belo de ver, e de um aspecto que excitava o desejo”. Tendo assim se desviado desde o primeiro passo, Adão arrastou sua descendência na direção que ele acabava de tomar.

Nessa direção ela caminhou, nessa direção ela avançou, nessa direção ela submergiu durante longos séculos. A história aí está para contar os males que ela encontrou nesse longo extravio. Deus teve piedade dela. No Seu conselho de infinita misericórdia e de infinita sabedoria, Ele resolveu recolocar o homem sobre o caminho da felicidade. E a fim de tornar Sua intervenção mais eficaz, Ele quis que uma Pessoa divina viesse sobre a terra mostrar o caminho por Sua palavra, tocar os homens por Seu exemplo. O Verbo de Deus se encarnou e veio passar trinta e três anos entre nós, para nos tirar da via da perdição e para nos abrir a estrada de uma felicidade não enganosa.

. Suas palavras e Seus atos derrubavam todas as idéias até então aceitas. Ele dizia: Bem-aventurados os pobres! Bem-aventurados os mansos, os pacíficos, os misericordiosos! Bem-aventurados os puros! Até a vinda dele, dizia-se: Bem-aventurados os ricos! Bem-aventurados aqueles que dominam! Bem-aventurados os que vivem sem nada recusar às suas paixões! Ele tinha nascido em um estábulo, fizera-Se o servidor de todos, sofrera morte e paixão, a fim de que não se considerassem suas palavras meras declamações, mas lições, as mais persuasivas lições que possam ser concebidas, dadas que eram por um Deus, e um Deus que Se aniquilou por amor a nós.
. Ele quis perpetuar essas lições, torná-las sempre expressivas e operantes aos olhos e nos ouvidos de todas as gerações que deviam vir. Para isso Ele fundou a Santa Igreja. Estabelecida no centro da humanidade, Ela não cessou, pelos ensinamentos de seus doutores e pelos exemplos de seus santos, de dizer a todos os que Ela viu passar sob seus olhos: “Procurais, ó mortais, a felicidade, e procurais uma coisa boa; ficai atentos apenas para não procurardes onde ela não está. Vós a procurais na terra, mas não é aí que ela está estabelecida, nem aí que se encontram esses dias felizes dos quais nos falou o divino Salmista: Diligit dies videre bonos… Aí estão os dias de miséria, os dias de suor e de trabalhos, os dias de gemidos e de penitência, aos quais nós podemos aplicar as palavras do profeta Isaías: "Meu povo. Os que te dizem feliz, abusam de ti e perturbam tua conduta”. E ainda: “Os que fazem o povo acreditar que é feliz, são enganadores”. Pois onde se encontra a felicidade e a verdadeira vida, senão na terra dos vivos? Quem são os homens felizes, senão aqueles que estão com Deus? Esses vêem dias bonitos, porque Deus é a luz que os ilumina. Esses vivem na abundância, porque Deus é o tesouro que os enriquece. Esses, enfim, são felizes, porque Deus é o bem que os contenta e que, somente Ele, é tudo para todos".
- Do século I ao século XIII, os povos tornaram-se cada vez mais atentos a essa pregação, e o número dos que dela fizeram luz e regra de vida foi cada vez maior. Sem dúvida, havia fraquezas, fraquezas das nações e fraquezas das almas.

Mas a nova concepção da vida permanecia lei para todos, lei que os desvios não faziam perder de vista e à qual todos sabiam, todos sentiam que era preciso retornar uma vez que se tivessem afastado. Nosso Senhor Jesus Cristo, com Seu Novo Testamento, era o doutor escutado, o guia seguido, o rei obedecido. Sua realeza era a tal ponto reconhecida pelos príncipes e pelos povos, que eles a proclamavam até em suas moedas. Em todas estava gravada a cruz, o signo augusto da idéia que o cristianismo tinha introduzido no mundo, que era o princípio da nova civilização, da civilização cristã, que devia regê-lo, o espírito de sacrifício oposto à idéia pagã, ao espírito de gozo que tinha construído a civilização antiga, a civilização pagã.

. À medida que o espírito cristão penetrava as almas e os povos, almas e povos cresciam na luz e no bem, se elevavam pelo só fato de verem a felicidade no alto e de a carregarem consigo. Os corações tornavam-se mais puros, os espíritos mais inteligentes. Os inteligentes e os puros introduziam na sociedade uma ordem mais harmoniosa, aquela que Bossuet nos descreveu no sermão sobre a eminente dignidade dos pobres. A ordem mais perfeita tornava a paz mais geral e mais profunda; a paz e a ordem engendravam a prosperidade, e todas essas coisas davam ensejo às artes e às ciências, esses reflexos da luz e da beleza dos céus. De sorte que, como observou Montesquieu: “A religião cristã, que parece não ter outro objetivo além da felicidade da outra vida, ainda constrói nossa felicidade nesta”. É, ademais, o que São Paulo tinha anunciado, quando disse: “Pietas ad omnia utilis est, promissiones habens vitae quae nunc est et futuraep. A piedade é útil para tudo, possuindo as promessas da vida presente e aquelas da vida futura”. Não havia o próprio Nosso Senhor dito: “Procurai primeiro o reino de Deus e Sua Justiça, que o resto vos será dado de acréscimo”? Não há aí uma promessa de ordem sobrenatural, mas o anúncio das conseqüências que deviam sair logicamente da nova orientação dada ao gênero humano.
. De fato, vemos que o espírito de pobreza e a pureza de coração dominam as paixões, fontes de todas as torturas da alma e de todas as desordens sociais. A mansidão, a pacificação e a misericórdia produzem a concórdia, fazem reinar a paz entre os cidadãos e na cidade. O amor da justiça, mesmo contrariado pela perseguição e pelo sofrimento, eleva a alma, enobrece o coração e lhe proporciona os mais sãos prazeres; ao mesmo tempo eleva o nível moral da sociedade. Que sociedade, aquela em que as bem-aventuranças evangélicas fossem colocadas sob os olhos de todos, como objetivo a conquistar, e na qual seriam oferecidos a todos os meios de alcançar a perfeição e a bem-aventurança assinaladas no sermão da montanha: Felizes os que têm espírito de pobreza! Felizes os mansos! Felizes os que choram! Felizes os que têm fome e sede de justiça! Felizes os que são misericordiosos! Felizes os que têm o coração puro! Felizes os pacíficos! Felizes os que sofrem perseguição por amor da justiça!

São Francisco de Assis / São Domingos de Gusmão / São Luís de França / Santa Elisabete da Hungria
A ascensão, não direi das almas santas, mas das nações, teve seu ponto culminante no século XIII. São Francisco de Assis e São Domingos, com seus discípulos São Luís de França e Santa Elisabete da Hungria, acompanhados e seguidos por tantos outros, mantiveram por algum tempo o nível que havia sido atingido pela emulação que tinham excitado nas almas os exemplos de desapego das coisas deste mundo, de caridade em relação ao próximo e de amor a Deus, que tantos outros santos tinham dado. Mas enquanto essas almas nobres atingiam os mais altos cumes da santidade, muitas outras esfriavam no seu entusiasmo por Deus; e por volta do fim do século XIV, manifestou-se abertamente o movimento de retrocesso que arrebatou a sociedade e que a conduziu à situação atual, quer dizer, o triunfo próximo, o reino iminente do socialismo, fim obrigatório da civilização moderna. Porque enquanto a civilização cristã elevava as almas e tendia a dar aos povos a paz social e a prosperidade mesmo temporal, o fermento da civilização pagã tende a produzir seus últimos efeitos: a procura, por todos, de todos os prazeres; a guerra, para conseguidos, de homem contra homem, de classe contra classe, de povo contra povo; guerra que não poderia terminar senão com o aniquilamento do gênero humano.

Fonte: A Conjuração Anticristã
O Templo Maçônico que quer se erguer sobre as ruínas da Igreja Católica.
Monsenhor HENRI DE LASSUS, Doutor em Teologia.