A PAIXÃO por. Padre Júlio Maria. 1937 - ( A FLAGELAÇÃO ) Na Agonia do Jardim vimo-lO revestido de todas as iniqüidades de todos os povos, em todos os gêneros de pecado. Hoje, na Flagelação, vemo-lO …More
A PAIXÃO por. Padre Júlio Maria. 1937 - ( A FLAGELAÇÃO )

Na Agonia do Jardim vimo-lO revestido de todas as iniqüidades de todos os povos, em todos os gêneros de pecado. Hoje, na Flagelação, vemo-lO como que de um modo especial revestido dos pecados da sensualidade, vingando a honra de nosso corpo, - firmando a dignidade de nossa carne.

Eis a grande significação do mistério que, pois, não é senão uma substituição.

É a carne inocente de Jesus Cristo pagando os pecados da nossa carne culpada. E basta que por uma sincera penitência apliquemos a nós próprios os méritos dessa expiação, para que satisfaçamos a Justiça Divina" - que em Jesus Cristo viu a responsabilidade da pena, mas não a malícia da falta; pelo que os sofrimentos de Jesus Cristo não nos eximem da penitência, mas dão aos nossos atos de mortificação valor infinito.

* Eis o ensino, a lição e o exemplo que convinham a todos os tempos; mas se há um século em que o mistério de Flagelação tenha alta significação, é o nosso, em que devemos estudá-lo, meditá-lo e admirá-lo, não simplesmente de um modo estético, como fonte de ternura, compaixão e lágrimas para o nosso coração; - não lamentá-lo simplesmente como um atentado inaudito da justiça romana, uma prevaricação descomunal do Direito, um excesso brutal da crueldade judaica; mas adorá-lo como um mistério de salvação.

* Foi porque Ele viu, em toda a série dos séculos, as misérias da nossa concupiscência, que deixou correr para nós, como uma fonte de vida, o sangue de Sua Flagelação; e é para que nos aproveitemos dela que o Evangelho para todo o sempre imortalizou o mistério e a Igreja perpetuamente no-lo mostra reproduzido.

* Se em todas as épocas a humanidade, tão inclinada pela prevaricação adâmica ( Relativo a Adão. ) aos furores da impureza e as orgias da concupiscência, teve necessidade desse remédio, hoje, mais do que nunca.

* Uma das principais características do século 19 é - o pecado da carne. Uma de suas mais caluniosas acusações contra o cristianismo - é a de ter atrofiado a aberrações místicas da alma as legítimas necessidades da sua natureza física.

* "É tempo, diz o século 19, do homem ser adorado, não só na alma - mas também no corpo. É tempo de cessar esse longo divórcio entre a alma e os sentidos. Que quer dizer essa moral de sacristia só própria para os hipócritas, os tartufos e os imbecis?!

Que quer dizer disciplinar a carne, reprimir as paixões, imolar o corpo?! Que valor tem a-cas tidade, a virgindade, o celibato, a abstinência e o jejum?! Tudo isso não passa de violação desta grande lei - tudo é bom na natureza.

* Tudo é bom na natureza! Portanto, satisfaçamos todas as paixões, libertemos o corpo dessa longa escravidão, desse jejum de tantos séculos! + Portanto, inauguremos - a era do amor livre!

Gozar é a lei: aspiremos, portanto, a vida por todos os poros.

* Inventem-se, se é possível, novos prazeres, novos gozos, novas volúpias. O corpo tem direito de satisfazer os seus apetites.

Desenvolver a sensação é obra tão santa como enriquecer o pensamento; e o homem que descobrisse um volúpia novo, um gozo desconhecido, um novo gênero de luxuria - seria mais glorioso do que Newton descobrindo mundos no espaço!

* Eia, liberte-se a humanidade; desoprima-se o corpo do homem das superstições cegas, dos ascetismos extravagantes, das mortificações insensatas, - de toda essa escravidão com que a Igreja há longos séculos o traz cativo.

* Transfigure-se o mundo; proclamemos um novo catolicismo - o catolicismo da carne; celebremos uma nova Páscoa - a páscoa do gozo universal."

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