Kuravilangad, o Santuário Mariano Mais Antigo do Mundo

Uma Aparição Mariana Anterior a 105 d.C.

Nem na Europa, nem no Oriente Médio; é na Índia que está localizado o mais antigo santuário mariano do mundo. Fica na pequena cidade de Kuravilangad, estado de Kerala, sul da Índia, a cerca de 200 km de sua capital, Thiruvananthapuram. O nome oficial do santuário é " Igreja Arquiepiscopal Maior e Arquidiaconal Peregrina Marth Mariam de Kuravilangad".

História da Aparição

O povo dessa região, cheia de colinas áridas e pequenas matas, era composto por importantes produtores de especiarias. Alguns dos comerciantes judeus que lá vinham regularmente para comprar especiarias testemunharam a tortura, a crucificação e a ressurreição de Jesus Cristo e estavam entre as pessoas que se converteram ao cristianismo em Pentecostes. Depois disso, foram de Israel para Kerala. Foi através destes cristãos judeus que o primeiro pequeno grupo de cristãos foi formado em Kuravilangad. Mais tarde, quatro famílias brâmanes (que constituíam a casta mais alta entre os indianos) - Kalli (ou Palli), Kalikave, Sankarapuri e Pakalomattom -, convertidos ao cristianismo graças ao apóstolo Tomás, migraram de Palayoor (um dos antigos centros cristãos) para Kuravilangad para escapar da intensa perseguição religiosa contra os cristãos por volta do ano 100 d.C.

A Fonte da Água: um sinal permanente de Nossa Senhora

De acordo com a tradição, algumas crianças Nazrani (um antigo termo para os cristãos) estavam pastoreando o rebanho de suas famílias. Estavam famintos e sedentos. Então, a Virgem Maria apareceu na forma de uma senhora idosa. Ela pegou algumas pedras do chão, que se tornaram pão, e as deu às crianças; cavou um pequeno poço, uma fonte começou a correr, e deu sua água para as crianças beberem. Quando as crianças relataram este incidente, os pais vieram correndo para o local. A senhora idosa reapareceu, mostrou-lhes a fonte e pediu que uma igreja fosse construída ali em sua honra.

História da Igreja

A primeira igreja foi construída em 105 d.C. no local sugerido por Nossa Senhora. Era um templo feito de bambu. O templo de Kuravilangad foi restaurado em vários períodos. O bispo Mar Youssef de Edessa, em 345 d.C., ordenou a restauração da igreja. A pedra fundamental do primeiro templo de pedra foi colocada entre junho e novembro de 1599. A igreja atual foi construída durante o reinado de Chandikathanar, Vigário de Parambil (até 1663). Acredita-se que o altar sul da igreja principal seja parte da igreja antiga. O atual altar principal da igreja foi construído em 1670, e o altar norte da igreja foi construído em 1680. Uma parte importante da igreja principal, exceto a área do altar, foi reconstruída em meados de 1954-1960, sob a liderança do Pe. Thomas Manakat. A igreja tem um sino muito antigo com a gravura "Mãe de Deus" em siríaco. Três majestosos sinos foram trazidos da Alemanha em 1910 e estão entre os maiores sinos da Ásia. Atualmente esta igreja está sob a Eparquia de Palai, parte da Igreja Católica Sírio-malabar.

Jonas e o Festival "Moonnu Nombu"

Há um festival de três dias chamado "Moonnu Nombu" (literalmente significa "três dias de jejum"), celebrado todos os anos em Kuravilangad, por volta do final de janeiro até o início de fevereiro. Segue um calendário lunar, e cai perto da lua cheia. O segundo dia, terça-feira, é o dia mais importante. Nesse dia, há uma Palli Prathaskhinam, que é uma procissão alegre e piedosa que dura cerca de três horas, começando por volta das 11h30 da manhã, com uma espécie de barco chamado Kappalottom, simulando uma viagem de navio no mar, como o evento culminante.

Um navio de madeira de 12 metros, belamente construído com proa, popa, mastros e cordame, tendo de um lado uma efígie de Jonas sendo vomitada pelos peixes, conforme as ordens do Senhor, e no convés marinheiros de madeira com traje ocidental, tem sido durante séculos o centro de atração na procissão do meio-dia. Durante a procissão, o Kappal (navio) é transportado por centenas de pessoas. A viagem começa em mar calmo. Quando o mar fica agitado, o profeta Jonas é atirado ao mar. Com isso, o mar se acalma, e então a procissão termina. O povo do vilarejo vizinho de Kadappoor tem a honra de encenar o Kappalottom. Este vilarejo foi fundado por Kadappoor Ramban, um dos discípulos de São Tomás Apóstolo.


Esta procissão é uma ação de graças do povo desse vilarejo. Há muitos séculos, um dos navios mercantes do povo Kadappoor entrou em mar revolto. Eles rezaram e foram salvos do naufrágio. Em agradecimento, fizeram uma promessa de levar este Kappalottom à Igreja de Kuravilangad todos os anos. Esta promessa continua até hoje. O Kappalottom tem cerca de 12 metros de comprimento, 2,5 m. de largura e 3,6 m. de altura, e é sempre bem conservado.


O Festival Moonnu Nombu começou como uma ação de graças por uma viagem segura no mar, mas agora é um agradecimento pela proteção contra qualquer perigo.


Fonte:

site do Santuário de Kuravilangad


Vídeo do interior da igreja:


Vídeo sobre o festival:


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