QUEM É SATÃ NO ANTIGO TESTAMENTO?

QUEM É SATÃ NO ANTIGO TESTAMENTO?

É provável que haja relação da palavra hebraica satã com a posterior palavra árabe shaitan, que originalmente – ao que opinam alguns – significava serpente. Alguns povos vizinhos de Israel representavam seus ídolos sob a forma de serpente. Satã, serpente, ídolo seriam sinônimos. A serpente do paraíso seria assim compreendida de outro ângulo: representação de um ídolo, uma divindade.


A palavra satã nada tem a ver com os anjos caídos, ou demônios no conceito clássico cristão.

Com efeito: em 15 oportunidades – depende das versões – aparece o termo satã no Antigo Testamento:

1. Com referência a Davi diziam os príncipes filisteus: “Não se volte contra nós no combate”. de acordo com o original hebraico seria: “Não se torne satã (inimigo) nosso no combate” (1Sm 29,4).

2.Davi aplica o termo satã aos homens que se opõem à vontade de Deus tentando o rei para que mate o benjaminita que o injuriou. Satã significa a oposição humana a Deus. A Bíblia de Jerusalém traduz por adversários do próprio Davi, no sentido de tentadores: “Davi disse: ‘Que tenho eu convosco filhos de Sarvia, para que vos torneis hoje meus adversários? Poderia ser alguém condenado à morte hoje em Israel?’” (2Sm 19,23).

3. A Bíblia de Jerusalém traduz simplesmente por adversário onde o original hebraico diz satã; Salomão afirma que “agora... não tenho satã nem infortúnio” (1Rs 5,18 ou 5,4 da Vulgata).

4. Pouco depois já há dois satãs para Salomão. A palavra satã aparece três vezes. A Bíblia de Jerusalém volta a substituir satãs pelas palavras adversário e inimigo (1Rs 11,14.23.25).

5. No primeiro livro dos Reis (21,13) o termo satã qualifica duas falsas testemunhas. A Bíblia de Jerusalém traduz sua atitude em satã, por inescrupulosos.

6. O Salmo 108 (ou 107,12-13) chama de satã os inimigos em geral e o acusador no julgamento. A Bíblia de Jerusalém emprega as palavras rejeição e opressão.

7. Igualmente satã é para o salmista, mais uma vez, um acusador no julgamento: “Designa um ímpio contra ele, que um acusador (satã) se poste à sua direita” (Sl 109,6).

8. Depois do exílio, satã personifica o promotor que no tribunal divino é encarregado de acusar. Iahweh “me fez ver Josué, sumo sacerdote, que estava de pé diante do Anjo de Iahweh, e Satã que estava de pé à sua direita para acusá-lo...” (Zc 3,1s). Imagina-se o Supremo Juiz como um rei terreno rodeado de sua corte. Dentre os servidores, um deles tem o cargo de satã, de acusador. Satã é um cargo, não uma pessoa. Não é um nome próprio, é um título.

9. O livro de Jó (1,6) refere que um dos Filhos de Deus se apresenta diante do trono de Iahweh. O nome que lhe é dado é satã. O nome comum representa o cargo de acusar, e também a adversidade, a inimizade, a oposição que é permitida ou sancionada por Iahweh.

10. No Eclesiástico, emprega-se a palavra satã no sentido de alguma espécie de inimigo. Trata-se provavelmente do próprio instinto mau interior: “Quando o ímpio maldiz Satã, ele maldiz a si próprio” (Eclo 21, 27).

11. Em Habacuc (2,5), Satã designa a peste. Na Bíblia de Jerusalém é traduzido por Xeol, o lugar da morte.

12. No primeiro livro dos Macabeus, designa-se com o termo satã, a “gente ímpia” e os “homens perversos” (1Mc 1,34). A Bíblia de Jerusalém traduz o termo satã por adversário maléfico: “Aquilo era uma emboscada para o lugar santo, um adversário maléfico para Israel constantemente” (1Mc 1,36).

13. O termo satã é aplicado a um ser sobrenatural no Livro dos Números: é a oposição feita por Iahweh. O texto diz que o anjo de Iahweh, mensageiro de Iahweh, isto é, o próprio Iahweh, se interpõe no caminho de Balaão. “Sou Eu que vim barrar-te a passagem”, segundo a Bíblia de Jerusalém. No original em hebraico é: “Sou eu que vim contra ti em satã” = em oposição (Nm 22,32).

14. Como em Jó e em Números, o Satã das Crônicas (1Cor 21,1) é representante de Deus.

15. O Livro da Sabedoria foi escrito em grego, ignoramos qual seria a palavra escolhida pelo autor sagrado se escrevesse em hebraico. O autor utiliza a palavra grega diábolos, termo com a qual os Setenta normalmente traduzem a palavra hebraica satã: “É por inveja do Diabo que a morte entrou no mundo” (Sb 2,24). Como Paulo (Rm 5,12) ensina que pelo pecado de Adão entrou a morte no mundo e o pecado pela tentação da serpente, o termo satã designaria aqui a serpente do Paraíso.

Portanto, no Antigo Testamento satã não designa um ser que possamos considerar um demônio no sentido cultural cristão de um ser sobre-humano e perverso. O nome Satã, ou Satanás, no Antigo Testamento personifica a inimizade, dificuldade, contradição.

A palavra satã, na sua forma verbal, stn em hebraíco, aparece seis vezes no Antigo Testamento (Zc 3,1; Sl 38,21; Sl 71,13; Sl 109,4; Sl 120,29). Poderíamos traduzi-lo por “satanizar”. Os Setenta
(Estudiosos que traduziram o Antigo Testamento a.C) geralmente traduzem o verbo stn por endiabállo, em grego; caluniar nas línguas vernáculas (e o substantivo satã, os Setenta geralmente o traduzem por diábolos, que significa caluniador). A Bíblia de Jerusalém geralmente traduz por acusar.

Fonte: Oscar G.-Quevedo, S.J., “Antes que os Demônios voltem”, São Paulo, Edições Loyola, 1989, 1.ª ed., pp. 279-281.

Fonte/Fonte: QUEM É SATÃ NO ANTIGO TESTAMENTO?
(Quem é Satã no Antigo Testamento).

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● Estudo desenvolvido pelo revolucionário e mundialmente consagrado especialista Prof. Dr. Padre Óscar González-Quevedo Bruzón, S.J. (1930-2019), fundador, em 1970, do CLAP – Centro Latino-Americano de Parapsicologia ― Pesquisa, Ensino e Clínica ― o primeiro Centro Universitário, Especializado e Reconhecido em Parapsicologia no Brasil.

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“Fora da VERDADE não há CARIDADE nem, muito menos, SALVAÇÃO!” (Luiz Roberto Turatti).

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